sábado, 11 de setembro de 2010

Odalisca Andróide

Por alguma vaidade, vou revelar àqueles alguns que sei que me lêem, que irão se decepcionar, talvez, com esse novo post. É que, após meses, em vez de originalidade, traz só citação. Ok, mas é uma citação nova, no sentido de ser das que eu não faria até pouco tempo.

Um texto de Fausto Fawcett (sim, ele mesmo), que descobri aqui.

Dêem atenção à Bethânia, não a mim.

Odalisca Andróide:

"Eu estou sempre aqui, olhando pela janela. Não vejo arranhões no céu nem discos voadores. Os céus estão explorados mas vazios.

Existe um biombo de ossos perto daqui. Eu acho que estou meio sangrando.

Eu já sei, não precisa me dizer. Eu sou um fragmento gótico. Eu sou um castelo projetado. Eu sou um slide no meio do deserto. Eu sempre quis ser isso mesmo. Uma adolescente nua, que nunca viu discos voadores, e que acaba capturada por um trovador de fala cinematográfica. Eu sempre quis isso mesmo: armar hieróglifos com pedaços de tudo, restos de filmes, gestos de rua, gravações de rádio, fragmentos de tv.
Mas eu sei que os meus lábios são transmutação de alguma coisa planetária. Quando eu beijo eu improviso mundos molhados. Aciono gametas guardados. Eu sou a transmutação de alguma coisa eletrônica. Uma notícia de saturno esquecida, uma pulseira de temperaturas, um manequim mutilado, uma odalisca andróide que tinha uma grande dor, que improvisou com restos de cinema e com seu amor, um disco voador".





Júlia, sabe aquele papo sobre a Nova Mítica? Pois é...

4 comentários:

Lilly disse...

Deu vontade de compartilhar uma mensagem que te tocou, acho normal. E da mesma forma que o atingiu, pode fazer sentido para outros, o que é muito interessante.
Gostei!
Beijos.

André Lima disse...

É que às vezes, sei lá... Eu costumo esquecer que explicação demais atrapalha. Obrigado pelo apoio!

Beijão

Cleylson Barros disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cleylson Barros disse...

Intensa Bethânia ❤