quinta-feira, 28 de maio de 2009

Os Símbolos

Eu tenho sido ingênuo, e talvez um pouco romântico até, em relação à minha significação do mundo e ao modo como me expresso e expresso o que me toca. Tudo é muito banal. E as noções envolvidas, flagrantemente pedestres. O caso é que a comoção, porém, poucas vezes a tenho sentido tão autêntica. Eu não tenho mais medo. Estarei tranqüilo, ainda que em perigo.
De alguma forma - e se encontra muito claro este item - nada mudou no que diz respeito aos emaranhados espirais que vejo subir e fosforecer pelos ares, e na necessidade de formar sentido no complexo cotidiano que me estarrece e se impõe como impressão do real mas somente explicada, ou apenas dita, para ser sincero, de modo um pouco mítico.
Isso tudo ainda me acontece e atordoa. Ainda me sinto inábil com o mundo. No entanto, agora fico mais à vontade com meus escuros, meus pontos cegos e ruídos ensurdecedores. Estou aprendendo a, matematicamente, em vez de contemplar numa mesma imagem que faço do mundo, conjuntos inteiros de possibilidades sem excluir nenhum elemento destes, substituí-los inteiramente por uma variável qualquer. Nem tudo precisa ter nome. E tudo permanecerá belo, se o for.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Devagar se vai ao longe... (à moda de Nicole Doberstein)





Um dia, uma Lebre ridicularizou as pernas curtas e a lentidão da Tartaruga. A Tartaruga sorriu e disse: "Pensa você ser rápida como o vento; Mas Eu a venceria numa corrida."

Esopo


O nome oficial do jogo é Ludo. Isso eu só aprendi há duas semanas, quando, em função de ter que fazer o trabalho para a disciplina de Psicologia da Educação : O Jogo I, fui procurar uma imagem do tabuleiro do jogo do qual não lembrava mais desde os 8 anos. No entanto, assim que vi a sugestão do título/tema do trabalho, lembrei exatamente do tabuleiro que eu possuía e que já perdi.
Bom, o que importa é o nome. Creio que esse, o meu, foi minha avó, D. Alícia, quem inventou. Sei disso porque ela sempre gostou de inventar coisas como atividades e nomes. Tanto foi que herdei dela o interesse por coisas que não existem. E de fato, “De vagar se vai ao longe...”, assim mesmo, com reticências, sempre achei muito adequado, dadas as regras* e o tempo de duração de cada partida. Só eu mesmo, lembro bem, é que gostava. Apenas aos puxões de camiseta e caras treinadas é que eu podia encontrar um parceiro generoso entre meus primos um pouco mais velhos.
Mais tarde, há não muito tempo também, eu fui ouvir algo que me lembrou o jogo também numa das primeiras aulas da Faculdade: “Na corrida da Filosofia vence aquele que corre mais devagar”.
E aí também me veio aos ouvidos a voz aguda de D. Alícia: “Esse guri, Marisa” – minha mãe – “é meio parado e brigão, mas sempre achei que ele não ficava por aqui: vai longe...”














*Os peões de cada jogador começam na base de mesma cor. O objetivo do jogo é ser o primeiro a levar seus 4 peões a dar uma volta no tabuleiro e a chegar no ponto final marcado com sua cor. Os peões movem-se pelo percurso no sentido horário.
Para transportar um peão de sua base para seu ponto de partida é necessário tirar 6. Quando o jogador já tem pelo menos um peão no percurso, ele pode mover o peão do número de casas tirado no dado. Se tirar 6, além de usar esse resultado ele pode jogar novamente o dado.