quarta-feira, 29 de junho de 2011

Sobre meus hábitos




Para não precisar de um cigarro,
precisaria voltar ao estado
de imbecil em mim que tu preenchias.
Te fumo agora, imbecil.
Eu, o imbecil-tu que me fazias.


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Eu saí e quase comprei um livro ou dois, não o fiz. Há cinco anos, tê-lo feito, seria mais verdadeiro. Hoje eu estou como que viciado nestes modos. Para harmonizar qualquer coisa, sigo, condicionadamente um caminho conhecido, assimilado e não estrangeiro. Vulgar em relação a mim mesmo.


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Acho que a gente corre o risco de ter aprendido demais, quando já não há visão sem símbolos. Quando não há percepção sem a lembrança de um deles. Ser excessivamente analítico te torna um místico, dos bons. O oráculo é sempre guardado por um doente. Que tem razão mesmo adoecido. Loucos conhecem a realidade por motivos de loucura.



sexta-feira, 24 de junho de 2011

XIII (Meu medo, tua força)

As velas negras de uma vez hasteadas
como um susto de peixe.
Tudo só podia ser pálido diante disto.
Como num conto infantil sombrio e germânico,
o ser de agosto se trancou no porão e de lá ficou ameaçando...

Naveguei por meses alimentando-o com o pavor destilado de meu rosto.
Para ser salvo, implorei aos céus por um dragão,
Veio um raio que me arrebentou o casco inteiro.







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terça-feira, 14 de junho de 2011

Búzio Oco

De aproximar
o ouvido, fez um vento dentro da concha:
seu poder de ouvir era enorme.
O espiral do som agulhou
seu tímpano! Abril.
E a coisa que buscava saber,
lá de dentro, lhe negou seu nome.