domingo, 9 de dezembro de 2007


Um cara através do vidro meio opaco de sujeira que separa os vagões, me deixa aflito porque se parece muito comigo. Ele está me olhando. O encaro até que sinto como se tivesse engolido uma folha seca e desvio os olhos. Sou tão indeciso que bobeio na plataforma antes de embarcar, não sei que vagão tomar. Já perdi um trem por isso. E outras coisas...

Devia ter entrado no outro, para olhar bem pra cara desse sujeito. Me sentaria ao seu lado e cuspiria na minha face de idiota que ele tem. O secaria com minha manga e pediria desculpas quando olhasse através da vidraça e visse minha expressão de curiosidade atrevida e deseducada do lado de cá. Não era mesmo eu, estive aqui o tempo todo.

O tempo todo é suficiente para desaprovar minhas atitudes. O meu inferno é me dar conta. Eu sempre sei o que é possível. Tudo é uma história e eu me garanto todas as possibilidades de enredo. Estou preso nisso. É aterrador.

Um comentário:

Guilherme disse...

muito obrigado, mesmo.
eu sempre leio teus textos - tenho no meu rss - mas não comento porque me parecem sérios demais e eu fico com medo de ser leviano. mas eu gosto, mesmo.