segunda-feira, 24 de novembro de 2008

"Isso" - eu disse - "é vivência".


Que bom que tu voltaste a ler,a ver tuas coisas. A recapturar um tu mesmo para além do que a gente compra, bebe, assiste na TV. Antes não precisavas. Era eu que te alimentava de fluidos - mais que isso: de espelhos, de danças loucas, de brilhos de espaçonaves. Aí, me faltaram (os meus). Fiquei exausto, mas estão por aqui ainda. Se há vantagem nisso tudo é eu ter descoberto que a fonte não seca. Não cessa de produzir os objetos claros, recobertos de cromo brilhante e com furta-cores de que tenho e sou. Estou esvaziado parcialmente, mas não sou vazio, tenho bastante de mim para esperar e, desta vez, manter por aqui. Mas olha, aproveita. Aproveita disso tudo que tiveste guardado bem no fundo (eu quase nem vi), enquanto vivias só de mim. Tira um pouco a casca grossa que se formou por cima, apagando a superfície que era luzidia nuns tempos e usa. Te come, te veste e mantém. Já que agora posso, te asseguro: não precisas economizar, não gasta, não seca. A fonte que em mim não terminou, tu bem podes perceber, já que usou, de certo tu também a tens.

5 comentários:

daiane disse...

tu escreves maravilhosamente bem! ;)

Lilly disse...

A gente anseia pela simbiose e acaba no parasitismo né. Entendi bem... Continue sonhando...

André Lima disse...

É Lilly, isso mesmo. Por causa disso a gente morre um pouco, vai ficando apagado e esquecido do que vinha fazendo. Mas aí a gente afina um pouco o ouvido, volta a atenção para aquilo que é tão sutil e se vê, ainda lá, nalgum lugar. Esse é o milagre. Valeu pela visita.

Lilly disse...

André,
voltei aqui mais de uma vez para reler o seu comentário. Vou ter que repetir as palavras da Daiane. Como vc escreve bem! E existe um certo alento em perceber que outras pessoas passam pelas mesmas coisas que a gente...

Anônimo disse...

isso foi lindo.