quinta-feira, 24 de julho de 2008

14/07 e sobre ser gravemente confessional




É, minha filha (mulher chorando no trem). Também te parece que isso é o que mais temos feito ultimamente? Por que é que estamos salgados, anjo meu? Mulher de cabelo oxigenado, um roxo-amarelado no braço, encostada à parede numa parte onde não tem janela, olha através como se tivesse. Aonde foi que chegamos, você e eu, se tivermos já chegado? E onde foi que vacilamos, se for por mau passo (antigo como a própria expressão) que estamos respondendo agora? Eu queria um mais doce, um mais dito. Um mal dito, mal feito, mal assombrado. Um mal-assombro é o que sinto vendo a nós - seres que éramos do lado simples - aqui do lado da paixão roxa-fosforescente, luz negra que não se usa para ver. Escarafunchamos deste lado nosso amesquinhado virar-se do avesso, constrangedor, não desejado e ainda assim orgulhoso. Como certa mulher a que assisti uma vez, tendo que juntar sacola arrebentada num banco de parque. Seus objetos expostos, seu brutíssimo cenho ao expô-los. Ah, ela ainda não precisara odiar tanto naquele ano.

Sai, pode sair letra representativa dessas negras coisas. Sal de coisa mal enxaguada. Sai pela culatra, pela língua em fôrma sólida e não cursiva. Personifique-se latência explorada diante da tal especialista. Me sinto filho de carne crua.


Perdi a mulher que chora. Onde está? Preciso de mais dureza patética, cinza, roxa, negra, vulgar.





imagem: Carlos Tavares - Sem título
(www.olhares.com)

3 comentários:

Anônimo disse...

é... nós sabemos.

v. disse...

adoro repolho roxo =]

Anônimo disse...

Eu infelizmente nao tenho o que responder...

Eu sei que minha loucura é extremamente repulsiva, porém as palavras nem sempre são o que parecem.

PS: Tb adoro repolho roxo!